É Assim Que Acaba – Colleen Hoover

A trama nos traz a personagem Lily, que acabara de perder o pai e se mudou para Nova York com a vontade de ter uma vida nova e totalmente independente.

Em uma noite qualquer, ela se tromba com Ryle, um neurocirurgião muito renomado. De primeira, apesar de uma faísca ter sido acendida, ela não fazia ideia de como a sua vida estaria prestes a mudar completamente.

O livro nos apresenta uma trama que de início até que simples, mas conforme a narrativa avança começamos a ver o lado obscuro por trás da história de Lily. Recebemos a informação de que o pai de Lily na verdade não era tão bom assim. A violência física e verbal contra a mãe de Lily é assustadoramente visceral. O relacionamento abusivo que os pais tinham lhe deixara muitas cicatrizes, fazendo com que ela jurasse para ela mesma que nenhum homem levantaria a mão para ela.

As coisas não deveriam ser assim. Durante toda a vida, eu sabia exatamente o que fazer se um homem me tratasse como meu pai tratava minha mãe. Era simples. Eu iria embora, e aquilo nunca mais se repetiria.
Mas eu não fui embora. E agora aqui estou: com machucados e cortes pelo corpo, causados pelo homem que deveria me amar. Causados por meu próprio marido.
E, ainda assim, tento justificar o que aconteceu.”

De todos os livros da Colleen, este é o mais cruel e de uma frieza insuperável. A forma como somos bombardeados de informações pesadas, tristes e horrendas são tantas que é impossível ler o livro sem ficar com nó na garganta, se questionando: por que ela não vai embora?

“As pessoas que estão de fora de situações assim costumam se perguntar por que a mulher volta para o agressor. Li em algum lugar que 85% das mulheres voltam para situações violentas. Foi antes de eu perceber que era uma delas, e, quando vi essa estatística, considerei essas mulheres burras. Achei que eram fracas. Pensei isso várias vezes de minha própria mãe.
Mas, de vez em quando, as mulheres voltam simplesmente porque estão apaixonadas. Eu amo meu marido, Ellen. Amo tantas coisas nele… Eu queria que suprimir meus sentimentos pela pessoa que me machucou fosse tão fácil quanto eu julgava ser. Impedir o coração de perdoar uma pessoa que você ama é, na verdade, muito mais difícil que simplesmente perdoá-la.
Agora eu sou uma estatística. As coisas que pensei sobre mulheres como eu são o que os outros pensariam de mim se soubessem de minha situação.

Os relacionamentos abusivos hoje em dias estão cada vez mais frequentes. Nesta história conseguimos ver com uma personagem fica encurralada em uma situação, sem saber o que fazer porque acabou nutrindo sentimentos pelo seu agressor.

“— Lily — diz ele, enfaticamente. — Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.
Abro a boca para responder, mas suas palavras me deixam em silêncio. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins. Acho que isso é verdade, de certa maneira. Ninguém é exclusivamente ruim ou exclusivamente bom. Algumas pessoas só precisam se esforçar mais para suprimir o lado ruim.”

Lily queria achar uma saída em meio ao caos em que se encontrava. Não bastando toda a situação conturbadora com a qual estava vivendo, no meio do caminho aparece Atlas, o seu primeiro grande amor. O coração pesa, sentimentos e lembranças retornam.

“Penso que, às vezes, por mais que você esteja convencida de que sua vida vai seguir determinado rumo, toda a certeza pode sumir com uma simples mudança de maré.”

Colleen Hoover nos trouxe uma história para refletir não só sobre os relacionamentos abusivos, mas também sobre a violência doméstica.

É assustadoramente incrível como essa história tem o poder de marcar quem está lendo, pois além de ser uma experiência única, a autora consegue deixar palpável toda a dor e desespero da personagem.

5/5

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *