UM RELATO SOBRE A AUTO-MUTILAÇÃO

O sangue que ali jorrava era a minha forma de punição por não conseguir ser uma boa filha, por não conseguir ter amigos, por não poder contar para minha mãe o que eu estava fazendo. O meu primeiro corte foi para ali sair pelas minhas veias toda a culpa que eu sentia por não conseguir salvar minha mãe. Não havia dor, apenas alívio por tudo aquilo estar indo embora. Meus pais gritavam no quarto e eu estava trancada no banheiro sem me importar com o chão sujo de sangue. Meus olhos se fecharam e eu me concentrei naquela sensação libertadora de colocar um fim naquela dor que me rasgava todos os dias por dentro. Eu me cortava porque já não importava mais, pois eu já estava morta por dentro e não havia mais luz. Era apenas escuridão.

“Por que você não se mata logo? Não vai fazer falta”
“Você é uma decepção para a família”
“Você só me traz desgosto”

Eu tive todos meus sonhos destruídos porque achei que deixar mandarem na minha vida funcionaria. Permiti ser sufocada por expectativas de uma família que nunca compreendeu, nunca entendeu que na vida o que cada um busca é sua essência, uma busca finita para descobrir a si mesmo. Uma vida controlada me levou ao abismo. Eu achei que não poderia mais continuar. Afogada nos meus piores pesadelos eu realmente achei que não teria mais saída. Me cortar não fazia mais diferença, pois não sentia mais nada. O sangue que ali jorrava ia embora junto com todas as minhas dores silenciadas por uma família controladora e amigos que nunca conhecera. Quantos anos seriam necessários para eu entender que no final acabamos todos sozinhos e eu tenho o meu próprio direito de escolha? Até quanto todos nós vamos continuar vivendo com base na expectativa dos outros para as nossas vidas e não com a nossa própria expectativa? Vamos nos permitir nos machucar por conta dos outros, por causa de uma opinião que não importa?. Nossa história somos nós quem escrevemos e não existe sensação melhor do que pensar: Eu sou feliz sim. Eu gosto de mim assim e está tudo bem. Posso ter alguns defeitos, mas eu não preciso de aprovação nesta sociedade. Quando somos jovens, acreditamos que precisamos de amigos compreensíveis e que é o fim do mundo quando as pessoas nos humilham e nos excluem. Mas eu te garanto que, ao crescer, você olhará para trás e vai ver que não valeu a pena. Eu olho para os meus cortes e penso por que? Por que eu me machuquei tanto só por causa do que os outros diziam de mim?

Se você leu esse texto até aqui, coloque a mão na sua consciência por alguns minutos. Observe-se no espelho. Reflita sobre tudo o que está acontecendo. E agora eu te digo: você é melhor que isso. Você não precisa disso para seguir em frente. E mesmo que não exista apoio dos familiares não desista.

Um dia me disseram que eu nunca poderia realizar meu sonho. Me disseram que eu deveria desistir porque eu tinha que ser uma doutora renomada. Não. O objetivo sou eu quem escolho. Eu que comando minha vida. Você que está lendo esse texto comanda a sua vida. Quais são seus sonhos? Quais são suas metas? Não deixe ninguém dizer que você não é capaz. Corra atrás dos seus sonhos pois no final é você que estará recompensando a você mesmo.

Qual a sua decisão? Seguir uma vida baseada no que os outros desejam para você ou trilhar seu próprio caminho e ser feliz por ter seguido seu sonho?

 

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